Saiba o que considerar na hora de escolher seu imóvel

Projetar despesas de primeira ordem e possíveis mudanças de vida é estratégico para uma decisão acertada

Foto: Viva Decora | Projeto: Luiz Sentinger

Há muitas dúvidas e um amplo leque de opções para quem deseja comprar um imóvel: novo ou usado? Reformar ou não? Priorizar espaço ou lazer? Qual a melhor localização? Pagar à vista ou financiar?

Especialistas do mercado imobiliário apontam caminhos que ajudam o consumidor a delimitar melhor suas escolhas, a começar pela definição de onde pretende morar.

“Avaliar os interesses pessoais é crucial, levando em conta fatores como a presença de escolas — especialmente para quem tem filhos —, a proximidade do trabalho, que facilita os deslocamentos diários, e a infraestrutura de transporte da região. Além disso, é importante analisar a segurança do bairro e a oferta de serviços e conveniências”, destaca Luiz França, presidente da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc).

Definir a região permite compreender as opções disponíveis e estimar a quantia necessária para o investimento. Um apartamento na zona oeste de São Paulo, por exemplo, tende a custar mais do que outro com a mesma metragem na zona leste.

Após escolher o lugar, é fundamental determinar o orçamento, incluindo o valor do imóvel; os custos com o tributo municipal (ITBI), a escritura pública e o registro em cartório, que juntos podem chegar a 6,4% do preço de venda; além de eventuais reformas, reparos e gastos com mobiliário.

“Nós, que vivenciamos esse mercado diariamente, vemos o quanto a compra de um imóvel simboliza a realização de um sonho, muitas vezes cultivado ao longo de gerações. Essa conquista, no entanto, requer planejamento financeiro em razão do montante envolvido e do uso frequente de financiamento bancário. Portanto, manter o controle sobre receitas e despesas é o primeiro passo”, observa Thiago Teixeira, head comercial da QuintoAndar.

Diante disso, é vital estabelecer as prioridades. Nem sempre é possível ter varanda e piscina ao mesmo tempo, por exemplo. Definir os itens indispensáveis otimiza a busca e evita a perda de tempo com opções que não atendam aos requisitos.

O imóvel deve suprir as necessidades atuais, mas também vale considerar eventuais mudanças de vida. Um jovem casal que planeja ter filhos, por exemplo, precisa levar em conta o crescimento da família na hora da escolha.

“Antes da compra, é essencial determinar os critérios inegociáveis. A aquisição imobiliária costuma ser a mais importante da história de uma família, por isso é preciso alinhar expectativas e desejos ao momento de vida”, orienta Helder Paranhos, diretor de incorporação da Tegra.

Atenção aos detalhes

O papel do corretor é decisivo nesse processo. A partir das preferências identificadas, ele faz a curadoria das opções com base nos aspectos técnicos, jurídicos e documentais do negócio.

As visitas presenciais são indispensáveis, preferencialmente com o acompanhamento de um arquiteto ou engenheiro, para detectar possíveis problemas estruturais e falhas de acabamento. Também é recomendável observar o imóvel em diferentes horários para analisar aspectos como a vizinhança, ruídos, fluxo de tráfego e incidência solar, reduzindo o risco de contratempos futuros.

“Depois de tudo definido, é importante comparar as ofertas e avaliar tanto a capacidade de entrega das incorporadoras quanto a qualidade dos projetos”, conclui Paranhos.

Fonte: Folha de S.Paulo

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Corretor de Imóveis especializado em direito negocial e imobiliário e diretor da Urbanisa.