São muitas dúvidas e um leque amplo de opções para quem deseja comprar um imóvel: novo ou usado? Reformar ou não? Priorizar espaço ou lazer? Qual a melhor localização? Pagar à vista ou financiar?
Especialistas do mercado imobiliário apontam caminhos que ajudam o consumidor a delimitar melhor suas escolhas. O primeiro passo é estabelecer onde se quer morar.
“Avaliar os interesses pessoais é crucial, levando em conta fatores como a presença de escolas — especialmente para quem tem filhos —, a proximidade do trabalho, para facilitar os deslocamentos diários, e a infraestrutura de transporte da região. Além disso, é importante analisar a segurança do bairro e a oferta de serviços e conveniências”, afirma Luiz França, presidente da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc).
Definir a região permite compreender as opções disponíveis e o orçamento mínimo necessário para a compra.
Um apartamento na zona oeste de São Paulo, por exemplo, tende a custar mais do que um de mesma metragem na zona leste.
Após eleger o bairro — ou até mesmo a rua —, é essencial estipular o orçamento tendo em vista o valor do bem, os custos com tributo municipal, registro cartorário e escritura pública (que podem chegar a 7,6% do preço de venda), além de eventuais reformas, reparos e equipamentos mobiliários.
“Nós, que vivenciamos esse mercado diariamente, vemos o quanto a compra de um imóvel simboliza a realização de um sonho, muitas vezes cultivado ao longo de gerações. Essa conquista, no entanto, requer planejamento financeiro, já que envolve custos elevados, normalmente amortizados por meio de financiamento. Portanto, manter controle sobre receitas e despesas é o primeiro passo”, afirma Thiago Teixeira, head comercial da QuintoAndar.
Diante disso, é fundamental estabelecer prioridades. Nem sempre será possível ter varanda e piscina ao mesmo tempo, por exemplo.
Com os itens obrigatórios decretados, torna-se mais fácil filtrar as opções disponíveis e evitar a perda de tempo com propriedades que não atendem aos requisitos mínimos.
A residência deve atender às demandas atuais, mas também é relevante considerar possíveis mudanças de vida. Um jovem casal que planeja ter filhos, por exemplo, precisa atentar sobre o crescimento da família ao escolher onde morar.
“Antes da compra, é essencial determinar as necessidades inegociáveis. A aquisição imobiliária costuma ser a mais importante da vida de uma família, por isso é preciso alinhar expectativas e desejos ao momento de vida”, pondera Helder Paranhos, diretor de incorporação da Tegra.
Atenção aos detalhes
O papel do corretor é decisivo nesse processo. A partir das preferências mapeadas, ele realiza a curadoria das opções levando em conta os aspectos técnicos, jurídicos e documentais do negócio.
As visitas presenciais são indispensáveis, preferencialmente com o acompanhamento de um arquiteto ou engenheiro, o que facilita a identificação de problemas estruturais ou falhas de acabamento. Também é recomendável observar a habitação em diferentes horários para checar vizinhança, barulhos, fluxo de tráfego e incidência solar, evitando, assim, contratempos futuros.
“Depois de tudo definido, é importante comparar as ofertas disponíveis e avaliar tanto a capacidade de entrega da incorporadora quanto a qualidade do projeto”, conclui o executivo.
Fonte: Folha de São Paulo